“Traz de volta aquele tempo em que a gente brincava e tinha cumplicidade, tempo em que se esfregar e bagunçar o cabelo do outro era apenas brincadeira. Nossa diversão sempre foi aporrinhar o outro e ríamos disso até doer. É que hoje só nos restam lembranças e essas fazem doer sem risos.
“Se tivesse a tolice de se perguntar “quem sou eu?”, cairia estatelada e em cheio no chão. É que “quem sou eu?” provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto.
— (Clarice Lispector em “A Hora da Estrela”)
principe-do-caralho:
Sabe do que mais, não vou abandonar isso tudo, por sua causa.
“Eu vou deixar pra lá, fingir que esqueci, agir como se não importasse. O que é verdadeiro volta. E quem tem que ficar, fica.
“Acho que diariamente a gente gasta energia no que não importa tanto assim. É fácil falar, difícil é ter a maturidade e calma de dizer isso não vale a pena. Algumas coisas estão fora do nosso alcance, não adianta bater o pé. Muitas vezes a gente depende dos outros - e temos que aprender a lidar com isso. Para mim é um sacrifício enorme, já que gosto de ter o controle de tudo e resolver as coisas sozinha. Mas a gente está aqui, dentre outras coisas, para aprender. Para consertar as coisas, para conseguir ir mais além, para vencer as pequenas batalhas e medos diários.